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Dinâmica


Dinâmica é o ramo da física que estuda as forças que agem sobre os corpos e suas consequências, vamos começar entendendo seus conceitos.




Força


Agente físico capaz de modificar o movimento de um corpo. A natureza de uma força pode ser:
  • de campo
  • de contato

Força de campo: consegue agir a distância, sem precisar entrar em contato com o corpo.
Exemplos: força elétrica, força gravitacional.

Força de contato: necessita entrar em contato com o corpo.



Elas são representadas por vetores e suas principais unidades são Newton (N) e quilograma força (kgf), sendo a primeira a mais utilizada.

A soma de todas as forças que atuam sobre um corpo/partícula é chamada de força resultante (Fr).







Isaac Newton observou que as forças obedecem a três leis básicas da dinâmica, conhecidas como


As 3 leis de Newton


1ª lei (Lei da inércia)

Se a força resultante sobre uma partícula é nula, ela permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme.

Exemplo: se um carro está se movendo em uma estrada a 10 m/s e nenhuma força atua sobre ele, ou se a soma de todas as forças for igual a zero, ele permanecerá com essa velocidade indefinidamente (ele não irá parar)







2ª lei (Força resultante)

A força resultante que atua sobre um corpo é igual ao produto da sua massa pela aceleração Fr = m.a

Fr: força resultante, em N ou kgf
m: massa do corpo, em kg
a: aceleração do corpo, em m/s2






3ª lei (Lei da ação e reação)

Toda força de ação tem uma correspondente reação de mesmo módulo, direção e natureza, mas sentido contrário, que atuam em corpos diferentes.

Exemplo: Se você empurrar uma parede com 50 N (força de ação, atua na parede)







ela lhe “empurra” de volta com os mesmos 50 N (força de reação, atua em você)



Observação: por atuarem em copos diferentes, as forças de ação e reação não se anulam.







Agora vamos dar uma olhada nas principais forças, nas forças mais importantes, as ...


Forças notáveis


Força peso

Força resultante da interação da massa de um corpo com o campo gravitacional de outro.

Exemplo: você e a Terra


A Terra atrai você para o núcleo dela.






e você atrai a Terra








O peso sempre será uma força vertical para baixo.





E sua intensidade é calculada pela fórmula P = m.g
P: peso de um corpo, em N (pode ser em kgf também, mas é bem menos comum)
m: massa do corpo, em kg
g: aceleração gravitacional, em m/s2







Força normal

Força aplicada por uma superfície, sobre um corpo, quando o corpo estiver sobre a superfície.









Ela sempre será perpendicular à e aponta para longe da superfície.

  



Sua intensidade pode ser calculada pela fórmula N = m.g.cos θ
m: massa do corpo, em kg
g: aceleração da gravidade em m/s2
θ: inclinação da superfície






Se a superfície estiver na horizontal θ = 0 e cos 0 = 1


cos θ = 1.






Caso ela esteja na vertical θ = 90º e cos 90 = 0


cos θ = 0.





Observação: a força normal não é uma força de reação ao peso do corpo, além do mais tanto a normal como o peso atuam no corpo, e as forças de ação e reação atuam em corpos distintos.


Normal e peso atuam no mesmo corpo.



A força normal é uma força de reação à compressão que um objeto provoca em uma superfície (ao sentarmos em uma cadeira nós a comprimimos e ela responde com a força normal).







Força elástica (Lei de Hooke)

Força restauradora originada da deformação de uma mola (ao comprimi-la ou estendê-la). Ser restauradora significa que ela sempre será contrária a deformação.


Se a mola for estendida, a força elástica atuará para comprimi-la.








Se a mola for comprimida, a força elástica atuará para estendê-la.





O módulo da força elástica pode ser calculado pela fórmula F = k.Δx
F: força elástica, em N ou kgf
k: constante elástica, em N/m
Δx: deformação sofrida pela mola, em metros







Força de atrito

Força que se opõe ao movimento ou a tendência de movimento de um corpo.

Exemplo: considere uma pessoa que começa a empurrar uma caixa









a caixa tende a se mover no sentido no qual a pessoa está empurrando









então a força de atrito atua na caixa no sentido contrário








Mas tenha cuidado, nem sempre a força de atrito atua no sentido contrário ao movimento do corpo. Dizer que “ela é uma força que se opõe ao movimento de um objeto” não quer dizer que ela atua no sentido contrário ao movimento do mesmo, exemplo: ao andarmos nosso pé empurra o chão para trás (força de ação, atua no chão)








o chão então responde através da força de atrito empurrando nosso pé para frente (força de reação, atua no nosso pé)




Note que a força de atrito e o movimento da pessoa possuem o mesmo sentido.



A intensidade da força de atrito pode ser calculada pela fórmula Fat = μ.N
Fat: força de atrito, em N ou kgf
μ (mi): coeficiente de atrito
N: força normal






Há dois tipos de coeficiente de atrito, o μe (coeficiente de atrito estático, atua no corpo enquanto ele está parado) e μd (coeficiente de atrito dinâmico ou cinético, atua no corpo quando ele estiver em movimento), sendo que μe > μd.


Agora considere uma pessoa que aplica uma força sobre uma caixa pesada, inicialmente parada, para movê-la. O chão então responde aplicando uma força de atrito que se opõe ao movimento e a caixa continua parada.







A pessoa então empurra com mais força, contudo a caixa continua parada, isto porque o chão aplica uma força contrária ao movimento, de mesmo módulo e direção mas no sentido contrário.








A pessoa então empurra com uma força cada vez maior até que a caixa está prestes a se mover, se ele a empurrar só um pouquinho mais forte, a caixa começa a deslizar, a força de atrito atingiu o seu limite, conhecida como força de atrito máxima ou força de atrito de destaque e pode ser calculada com a fórmula Fate = μe.N







A pessoa empurra com mais força e a caixa começa a se mover, a força de atrito que atua sobre ela agora é a força de atrito dinâmica e pode ser calculada com a fórmula Fatd = μd.N, como μd < μe, Fatd < Fate.



A força de atrito praticamente independe da área de contato do corpo com o chão.







Força de tração ou tensão

Força aplicada a um corpo através de cabos, cordas, fios etc.

Exemplo: o bloco B começa a se afastar de A









consequentemente, a corda será tracionada e puxará o bloco A.









As forças que atuam no sistema são:

B puxa a corda (força de ação T1, atua na corda) e a corda puxa B (força de reação T1R, atua em B)









A corda por sua vez, puxa o bloco A (força de ação T2, atua em A) e A puxa a corda (força de reação T2R, atua na corda)



(a força que faz B se mover, e as forças de atrito foram desconsideradas)


Temos ainda |T1| = |T1R| = |T2| = |T2R|




Normalmente, para resolver as questões, você só precisará se preocupar com T1R e T2.







Estas foram as principais forças que você precisa conhecer.


A força de tração merece uma atenção especial quando nós falamos em um sistema bem curioso, a talha exponencial. Você vai entender por quê



Talha exponencial


Associação de polias móveis (uma delas pode ser fixa), utilizada para facilitar o erguimento de corpos.

Exemplo




Com esse aparato, nós podemos erguer um corpo de peso P aplicando uma força F = P/2n
n: quantidade de polias móveis






Funciona assim: considere um corpo de peso P suspenso por uma corda








Como o bloco está parado, deve haver uma força de mesmo módulo e direção de P, mas no sentido contrário. Esta força é a força de tração aplicada pela corda em B



(Fr = T -P = 0, se a resultante é nula, o bloco não se mexe)





A força de tração T será dividida em duas novas forças de tração T2 = T/2








A força de tração T2, por sua vez, também será dividida em duas novas forças de tração T3= T2/2








T3 será dividida em duas novas forças de tração T4 = T3/2




E assim por diante.

Logo, ao aplicar uma força ligeiramente maior que F = P/2n, B sobe.







Por fim, precisamos estudar as forças que agem nos objetos em duas situações particulares.

A 1ª é


Forças no plano inclinado


Considere um objeto de peso P no plano com inclinação θ



P: peso
Py (Py = P.cos θ): componente da força P no eixo y. O ângulo entre P e Py é θ.
Px (Px = P.sen θ): componente da força P no eixo x. O ângulo entre Px e Py é 90º.
N: força normal
Fat: força de atrito



Na grande maioria das vezes |Py| = |N|






Por último mas não menos importante


Forças no elevador


Considere um objeto de peso P em um elevador.
l As forças que atuam no objeto são


N: força normal
P: peso




Se a aceleração do elevador estiver para cima (⬆a) N = m(g +a)

Neste caso, ele pode estar subindo acelerado ou descendo retardado.
Como P = m.g, concluímos que N > P.






Se a aceleração do elevador estiver para baixo (⬇a) N = m(g -a)

Neste caso, ele pode estar subindo retardado ou descendo acelerado.
Novamente, P = m.g, logo N < P.



Nas expressões acima
m:massa do objeto, em kg
g: aceleração da gravidade, em m/s2
a: aceleração do elevador, em m/s2







Se o objeto estiver em um elevador, a força normal também é conhecida como peso aparente. Isto porque, uma balança mede a força normal do objeto que é colocado sobre ela, e se o elevador possuir aceleração (para baixo ou para cima) N ≠ P.

Ressalto que o peso do objeto não muda.



Se o elevador estiver parado ou em movimento retilíneo uniforme (MRU) N = P.

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