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Química orgânica

Parte 2




Continuando nosso estudo sobre química orgânica, vamos agora aprender sobre uma das principais classes de compostos orgânicos que existe os

Hidrocarbonetos


São compostos orgânicos constituídos exclusivamente por carbono e hidrogênio. Podem ser classificados em hidrocarbonetos ramificados e hidrocarbonetos não ramificados.

Podem ser classificados também quanto a presença ou ausência de anel benzênico
  • aromático
  • alifático


Hidrocarboneto aromático ou arenos

Possuem ao menos um anel benzênico, exemplos
Benzeno

Naftaleno

Antraceno


Os hidrocarbonetos aromáticos podem ser mononucleares (apenas um anel benzênico) ou polinucleares (mais de um anel benzênico).



As cadeias polinucleares podem ser classificadas em condensadas ou isoladas.

Cadeia polinuclear condensada: os anéis benzênicos estão colados uns aos outros, exemplos, naftaleno e antraceno.

Cadeia polinuclear isolada: os anéis benzênicos estão separados uns dos outros, exemplo: fenil-benzeno








Hidrocarboneto alifático

Não tem anel benzênico (pode ser de cadeia aberta ou fechada), exemplos
Metano

But-1-eno

Propino




Os hidrocarbonetos alifáticos são sub-classificados em
  • alcanos
  • alcenos
  • alcinos
  • alcadienos
  • alicíclicos



Alcanos ou parafinas

Hidrocarbonetos de cadeia aberta e saturada.
Fórmula geral: CnH2n +2

São pouco reativos (devido às forças de ligação C-C e C-H).

Encontrados em depósitos de gás natural e no petróleo.


Exemplos
Metano

Etano

Propano





Alcenos ou alquenos

Hidrocarbonetos de cadeia aberta com uma ligação dupla entre átomos de carbono.
Fórmula geral: CnH2n

A ligação π entre os átomos de carbono é mais fraca que a ligação σ e portanto mais fácil de ser quebrada, o que torna os alcenos mais reativos que os alcanos.

Alguns alcenos se apresentam no estado líquido e possuem um aspecto oleoso e por isso também são chamados de olefinas.


Exemplos
Eteno

But-1-eno

But-2-eno





Alcinos ou alquinos

Hidrocarbonetos de cadeia aberta com uma ligação tripla entre átomos de carbono.
Fórmula geral: CnH2n -2

Se o alcino tiver um hidrogênio ligado a um dos carbonos da ligação tripla, ele é conhecido como alcino terminal.


Exemplos
Etino

Propino

Hex-2-ino





Alcadienos

Hidrocarbonetos de cadeia aberta com duas ligações duplas entre átomos de carbono
Fórmula geral: CnH2n -2

Além da fórmula geral ser igual, os alcadienos e os alcinos possuem duas ligações π.



Os alcadienos podem ser acumulados, isolados ou conjugados.

Alcadienos acumulados: as ligações duplas estão em carbonos vizinhos (vicinais)

1,2-butadieno





Alcadienos conjugados: as ligações duplas estão separadas por uma simples.

1,3-butadieno





Alcadienos isolados: as ligações duplas estão separadas por duas ou mais ligações simples.

1,4-pentadieno

As posições das ligações duplas influenciam na reatividade dos compostos.





Alicíclicos

Hidrocarbonetos de cadeia fechada.
Os hidrocarbonetos alicíclicos podem ser classificados como ciclanos ou ciclenos.


Ciclanos, cicloalcanos ou cicloparafinas
TODAS as ligações entre os átomos de carbono são simples.

A quantidade de átomos de carbono no ciclo influencia fortemente a reatividade dos ciclanos. Quanto mais carbonos (↑) menos reativo (↓) ele será.

O ciclopropano e o ciclobutano são muito reativos, o ciclopentano é pouco reativo, o cicloexano e os ciclanos com mais de 6 carbonos são praticamente inertes.



Exemplos
Ciclobutano

Ciclopentano

Cicloexano


Observação: os ciclanos que possuem 5 ou mais átomos de carbono formam estruturas espaciais (não são planas).



O cicloexano possui duas formas bem conhecidas a “cadeira” (a mais estável), e o “barco”.
cadeira
barco




Ciclenos, cicloalcenos ou cicloalquenos
Possuem ao menos uma ligação dupla entre átomos de carbono que constituem o ciclo.

Ciclenos como o ciclopropeno, ciclobuteno e ciclopenteno são muito instáveis. Os compostos que possuem 6 ou mais carbonos são mais estáveis.


Exemplo, ciclopenteno


Nomenclatura dos hidrocarbonetos


Cada tipo de hidrocarboneto possui suas particularidades para nomear os compostos, contudo, todos eles seguem um esquema de nomeação base => prefixo +infixo +o


Prefixo: quantidade de átomos de carbono na cadeia principal
quantidade de carbonos prefixo
1 met
2 et
3 prop
4 but
5 pent
6 hex
7 hept
8 oct
9 non
10 dec

A tabela mostra apenas alguns dos prefixos mais utilizados, contudo, existem muitos outros.





Infixo: indica o tipo de ligação entre átomos de carbono
ligação entre átomos de carbono infixo
todas as ligações são simples ou
o composto possui apenas um
átomo de carbono
an
uma dupla en
uma tripla in
uma dupla e uma tripla enin

Em alguns compostos é necessário informar a localização da(s) ligação(ões) dupla(s) ou tripla(s)




Vejamos alguns exemplos



1 carbono, prefixo met
apenas 1 carbono, infixo an
+ sufixo o

Nome: metano







2 carbonos, prefixo et
1 ligação dupla entre carbonos, infixo en
+ sufixo o

Nome: eteno







4 carbonos, prefixo but
1 ligação dupla entre carbonos, infixo en
+ sufixo o


Para as cadeias com ligações duplas ou triplas entre átomos de carbono e que possuem 4 ou mais átomos de carbono, as posições das ligações duplas ou triplas devem ser informadas.

Devemos então, numerar os carbono de tal maneira que os índices das ligações duplas ou triplas sejam os menores possíveis.


Eu poderia numera-los da direita para esquerda.





A ligação dupla estaria entre os carbonos 3 e 4 e o seu índice seria 3, contudo, se eu numerasse os carbonos da esquerda para direita


a ligação dupla estaria entre os carbonos 1 e 2 e o seu índice seria 1, portanto, menor que 3.

O índice da ligação dupla pode ser informado antes do prefixo ou entre o prefixo e o infixo, o nome do composto pode ser 1-buteno ou but-1-eno.




Outro exemplo para fixar.


6 carbonos, prefixo hex
1 ligação tripla entre carbonos, infixo in
+ sufixo o
1 ligação tripla e a cadeia possui mais de 3 carbonos, precisamos numerá-los.




Seria esta a numeração correta ?





Não, o índice da ligação tripla seria 4, contudo, eu poderia numerar os carbonos da seguinte forma


e o índice da ligação tripla seria 2, menor que 4, logo a segunda forma é a maneira correta. O nome do composto é 2-hexino ou hex-2-ino.





Como ficaria o nome desse ?


Ele possui mais de uma ligação dupla, contudo, o raciocínio é o mesmo que já vem sendo utilizado, com apenas dois detalhes a mais.
   1º se houver mais de uma ligação dupla ou tripla, adiciona-se os indicadores de multiplicidade ‘di’, ‘tri’, ‘tetra’ etc. antes do infixo.

Como são 2 ligações duplas, o infixo será dien
São 5 carbonos, prefixo pent.


Contudo como há mais de uma ligação dupla, adiciona-se a letra ‘a’ no final do prefixo (2º detalhe), prefixo ‘penta’.

Observação: o ‘a’ só será adicionado aos compostos que possuem ligações duplas múltiplas, se ele possuir ligações triplas múltiplas o ‘a’ não é adicionado.



Vamos numerar os carbonos de tal maneira que as 2 duplas ligações fiquem com os menores índices possíveis

Neste caso não há diferença entre numerar os carbonos da direita para a esquerda ou da esquerda para direita


Em qualquer um dos casos os índices das ligações duplas são 1 e 4 e o nome do composto será 1,4-pentadieno ou penta-1,4-dieno.




Outro exemplo



9 carbonos, prefixo non
4 ligações triplas, infixo tetrain


numeração dos carbonos



índices das ligações triplas 1, 3, 5, 7

Nome do composto: non-1, 3, 5, 7-tetraino




Se misturarmos ligações duplas e triplas ?



Quantos carbonos? 9, prefixo non.



Numerar os carbonos de tal maneira que as ligações múltiplas, independentemente de serem duplas ou triplas, fiquem com os menores índices possíveis.



Por fim escrevemos
prefixo-índices das duplas ligações-(indicador de multiplicidade)en-índices das triplas ligações-(indicador de multiplicidade)ino

Nome do composto: non-7-eno-2, 4-diino
Pode aparecer um ‘o’ no final do ‘en’.




Vejamos agora a estrutura



4 carbonos, prefixo but.



Podemos numerar os carbonos de duas formas


Das duas formas, os índices das ligações são 1 e 3.

Quando houver duas ou mais numerações que atribuem os mesmos índices para as ligações, escolha aquela que atribui os menores índices para as ligações duplas.

Na 1ª numeração, o índice da ligação dupla é 1, na 2ª numeração, o índice da ligação dupla é 3, portanto devemos escolher a 1ª.
Nome do composto: but-1-en-3-ino




Se o composto for um alcano (cadeia fechada e apenas ligações simples entre os átomos de carbono) basta adicionar a palavra “ciclo” antes do nome.

Exemplos

4 carbonos, prefixo but
todas as ligações são simples, infixo an
+ sufixo o

Nome: ciclobutano





6 carbonos, prefixo hex
todas as ligações são simples, infixo an
+ sufixo o

Nome: cicloexano




Se o composto for um alceno (cadeia fechada e uma ligação dupla entre os átomos de carbono) sem ramificações, basta adicionar a palavra “ciclo” antes do nome.

Exemplos


4 carbonos, prefixo but
1 ligação dupla, infixo en
+ sufixo o

Nome: ciclobuteno





5 carbonos, prefixo pent
1 ligação dupla, infixo en
+ sufixo o

Nome: ciclopenteno





Todos os compostos até o momento eram de cadeias "normais" (todos os carbonos estavam ligados a no máximo outros 2 carbonos), passaremos agora para a nomenclatura dos compostos ramificados (ao menos um carbono ligado a outros 3 ou 4 carbonos).

Hidrocarbonetos saturados


Hidrocarbonetos saturados
  1. identificar a cadeia principal
  2. identificar os radicais
  3. numerar os carbonos da cadeia principal, tal que os radicais possuam os menores índices possíveis


A cadeia principal de um hidrocarboneto saturado é a maior sequência contínua de átomos de carbono, exemplo.

Qual é a cadeia principal do composto ?







a)




b)




c)


A cadeia principal deve ser a maior de todas, então neste caso é a ‘c’ com 6 carbonos.



2º identificar os radicais.

Os radicais são compostos orgânicos que possuem um átomo de carbono com uma ligação faltando, ou seja, ao invés de fazer 4 ligações ele faz apenas 3. Significa que o carbono possui um elétron desemparelhado (valência livre).


Exemplo




o elétron desemparelhado pode ser representado com um traço ou uma bola





Ao dar nomes aos compostos orgânicos, os radicais são os conjuntos de átomos que estão fora da cadeia principal, conhecidos também como ramificações ou grupos substituintes.

Exemplos











Então, nesta molécula





o radical seria


Radical identificado




3º numerar os carbonos

Nós já treinamos numeração dos carbonos, então não deve ser nada difícil entender a imagem (lembre-se, os carbonos devem ser numerados de tal maneira que os radicais possuam os menores índices possíveis)





Então, para dar o nome ao composto
1º escrever o nome do radical juntamente com seu índice
2º o nome da cadeia principal



Humn ... 🤔, nome do radical ?

Há 2 esquemas para nomeá-los.
1º você pode fazer a mesma coisa que já faz para nomear os hidrocarbonetos (ramificados ou não), há apenas 2 ou 3 diferenças pequenas.

2º esquema: utilizar a fórmula
prefixo +il/ila


O prefixo indica a quantidade de carbonos no radical e é o mesmo utilizado na nomenclatura dos hidrocarbonetos “met”, “et”, “prop” etc.

Se o carbono no qual a valência se encontra for secundário ou terciário, deve-se adicionar o termo “sec” ou “terc”, respectivamente, antes do nome.
Observação: alguns outros termos podem preceder o nome do radical. Veremos mais adiante.

Se houver uma ligação dupla ou tripla entre átomos de carbono deve-se adicionar o infixo “en” ou “in”, respectivamente, a fórmula fica
prefixo +infixo +il/ila




Alguns radicais, possuem nomes que não seguem os esquemas de nomeação acima. Vejamos a nomeação de alguns deles.

Nomeação de radicais




De acordo com o 1º esquema
1 carbono, prefixo met
O sufixo ‘o’ é substituído por ‘il’ ou ‘ila’ (1ª diferença).
O infixo é suprimido (2ª diferença).

Nome do radical: met +il = metil


De acordo com o 2º esquema
1 carbono, prefixo met
+ sufixo ‘il’

Nome do radical: metil







De acordo com o 1º esquema
2 carbonos, prefixo et
+ sufixo ‘il’

Nome do radical: etil


De acordo com o 2º esquema
1 carbono, prefixo et
+ sufixo ‘il’

Nome do radical: etil







Propil (de acordo com os 1º e 2º esquemas)







De acordo com o 1º esquema
Aqui é um pouco diferente.

Se a valência estiver em um carbono secundário ou terciário, ou se o radical é ramificado, este, deve ser tratado como uma cadeia ramificada.

Precisamos então identificar a cadeia principal, sendo que, ela deve sempre começar no carbono da valência livre, que sempre será o carbono 1. (3ª diferença)

Não custa ressaltar que, a cadeia principal é a maior sequência contínua de átomos de carbono.




Qual seria a cadeia principal ?

a)



b)





Elas são iguais e até têm o mesmo tamanho, eu falarei mais para frente como escolher a cadeia principal, quando duas ou mais cadeias têm o mesmo tamanho, mas por enquanto, como elas são iguais tanto faz escolher uma ou outra.

Vou ficar com a primeira.


Carbonos numerados






“Sub-radicais”[1] identificados




o nome do radical será
nome do “sub-radical” juntamente com seu índice[2] +nome da cadeia principal

cadeia principal: 2 carbonos, prefixo et +sufixo ‘il’ = etil.

Nome do radical: (metiletil)[3]


[1] o termo “sub-radical” não existe, ele foi e continuará sendo utilizado com o intuito de facilitar a explicação
[2] o índice do “sub-radical” pode ser omitido se o radical tiver 3 ou menos carbonos
[3] se o radical for tratado como uma cadeia ramificada o seu nome deve ser escrito entre parênteses




Vamos nomeá-lo de acordo com o 2º esquema
3 carbonos[1], prefixo prop
sufixo ‘il’
prop +il = propil



Como a valência está em um carbono secundário o termo “sec” deve ser adicionado
Nome do radical: sec-propil
Ele também é conhecido como isopropil.


[1] este esquema leva em consideração todos os carbonos presentes no radical, não apenas da cadeia principal.




Alguns outros radicais


Butil (de acordo com os 1º e 2º esquemas)





(1-metilpropil) ou sec-butil






De acordo com o 1º esquema

Vamos começar identificando a cadeia principal

pode ser qualquer uma das três, vou ficar com a primeira.






Carbonos numerados (lembre-se que a numeração sempre começa no carbono que possui a valência livre)






“Sub-radicais” identificados








Quando um “sub-radical” aparece 2 ou mais vezes, esta repetição deve ser indicada por prefixos antes do seu nome.
Prefixo quantidade de um “sub-radical”
di 2
tri 3
tetra 4
penta 5
e assim por diante.

Neste caso temos 2 metil, portanto ‘dimetil’.



Os índices onde eles aparecem deve ser separados por vírgula e continuam aparecendo logo antes do “sub-radical”. No final das contas, é muito parecido com o que você já sabe.

O nome do radical será: (1, 1-dimetiletil)


De acordo com o 2º esquema
Nome do radical: terc-butil






(2-metilpropil) ou isobutil






Pentil (de acordo com os 1º e 2º esquemas)






Isoamil ou Isopentil






Neopentil

Todos os radicais acima são derivados de alcanos e por isso são classificados como radicais alquila.





De acordo com o 1º esquema
2 carbonos, prefixo et.
Como há uma ligação dupla entre átomos de carbono devemos utilizar o infixo ‘en’.
+ sufixo ‘il’

Nome do radical: etenil
Conhecido também como vinil.






Alil

Os 2 radicais acima são derivados de alcenos e por isso são classificados como radicais alquenila.






De acordo com o 1º esquema
2 carbonos, prefixo et.
Ligação tripla entre átomos de carbono, infixo ‘in’.
+ sufixo ‘il’

Nome do radical: etinil

O radical acima é derivados de alcinos e por isso classificado como radical alcino.





Por fim, vejamos alguns radicais aromáticos (radicais cuja valência livre está em um anel benzênico).
Fenil







Orto-toluil







Meta-toluil







Para-toluil







𝛼-naftil (a valência poderia testar em qualquer uma das posições marcadas com 𝛼)







β-naftil (a valência poderia testar em qualquer uma das posições marcadas com β)







Benzil



Apenas o benzil não é um radical aromático, pois a valência não está no anel.



Qual dos 2 esquemas de nomeação de radicais usar ?

O 2º é o esquema é muito comum e talvez o mais simples, você deverá vê-lo bastante, contudo, o 1º é o esquema de nomeação oficialmente recomendado pela IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada) e você também pode ver muitos radicais nomeados de acordo.

Se você está se preparando para um vestibular, ou uma prova muito importante, a não ser que você tenha certeza de qual esquema de nomeação ela utilizará, talvez seja interessante conhecer os dois.


Terminamos a parte de nomeação de radicais.





Finalmente podemos voltar para o nosso composto







agora nós conseguimos identificar o radical, metil.



O metil está no 3º carbono, o nome da cadeia principal é hexano.

O nome do composto será 3-metil-hexano.




Toda essa longa explicação pode dar uma sensação de quê nomear os compostos é difícil e chato, mas não se engane, é bem simples e fácil, vejamos mais alguns exemplos.


Qual é o nome desse ?



1º identificar a cadeia principal




Será esta ?









Ou esta ?









Quem sabe talvez esta aqui



As três possuem 8 carbonos.


Quando duas ou mais cadeias forem do mesmo tamanho, selecione a que possui o maior número de substituintes. As 3 possuem 2 substituintes (1 metil e 1 etil).



Quando duas ou mais cadeias tiverem a mesma quantidade de substituintes, selecione a que fornece os menores índices para os substituintes.

Se as cadeias fornecerem os mesmos índices para os substituintes, você pode selecionar a cadeia que quiser[1], que é o nosso caso.



Vou escolher a terceira.

Carbonos numerados



Há um metil no carbono 2 e um etil no carbono 6.


Se houver mais de um substituinte, eles devem ser escritos em ordem alfabética (os índices não influenciam a ordem). Portanto, o nome do composto é 6-etil-2-metil-octano.





Se um radical aparecer 2 ou mais vezes, adiciona-se um dos prefixos ‘di’, ‘tri’, ‘tetra’ ... antes do seu nome (semelhante ao que fazemos ao nomearmos os radicais), exemplo

2, 2-dimetil-butano






Tais prefixos devem ser desconsiderados ao determinar a ordem alfabética, exemplo

2-etil-2, 3-dimetil-butano

Os prefixos só devem ser levados em consideração se eles estiverem dentro de parênteses. Tá dentro de parênteses, leve em consideração.



[1] na verdade, há mais alguns critérios para determinar qual cadeia deve ser selecionada, contudo, creio e espero que um conhecimento tão profundo seja desnecessário e um desperdício de tempo para quem vai fazer uma prova como o ENEM. Além do mais, com o que você já sabe, você já deve ser capaz de identificar e nomear uma vasta gama de hidrocarbonetos.


Hidrocarbonetos insaturados


Esquema de nomeação
  1. identificar a cadeia principal
  2. numerar os carbonos da cadeia principal, tal que as ligações múltiplas possuam os menores índices possíveis
  3. identificar os radicais



Cadeia principal de um hidrocarboneto insaturado: será a que possuir o maior número de ligações múltiplas (duplas ou triplas), exemplo








Maior sequência de átomos de carbono








Cadeia com a maior quantidade de ligações múltiplas



como esta possui a maior quantidade de ligações múltiplas ela será nossa cadeia principal.





2º numerar os carbonos








3º identificar os radicais



Nome do composto: 4-propil-hexa-1, 4-dieno






Se duas ou mais cadeias possuem a mesma quantidade de ligações múltiplas








escolha aquela com a maior quantidade de carbonos.








Numeração



Nome do composto: 4-etenil-hept-1-eno-6-ino


Se as cadeias também possuírem a mesma quantidade de carbonos escolha a que fornece os menores índices para as ligações múltiplas.

Compostos cíclicos


Cicloalcanos


Se houver apenas 1 substituinte não é necessário indicar sua posição

metil-ciclobutano


Se houver mais de um, os carbonos do ciclo deverão ser numerados de maneira que
  1. os substituintes que aparecem primeiro na ordenação alfabética recebam os menores índices
  2. todos os substituintes recebam os menores índices possíveis



Correto







Errados



Nome do composto: 1-etil-3-metil-ciclopentano






Se o grupo substituinte (considerado neste caso como uma cadeia acíclica) possuir mais carbonos que o anel, então o substituinte será a cadeia principal



Nome do composto: 1-ciclopropil-butano






Ciclos insaturados

Os carbonos da ligação dupla ou tripla sempre recebem os índices 1 e 2 e o grupo substituinte deve receber o menor índice possível


Correto






Errado



Nome do composto: 3-metilciclohexeno




Se houver mais de uma ligação dupla ou mais de uma ligação tripla, elas devem receber os menores índices e deve-se adicionar os indicadores de multiplicidade ‘di’, ‘tri’, ‘tetra’ etc.

Correto






Errado


Nome do composto: 5-metilciclohexa-1,3-diino





Compostos aromáticos

Se houver apenas um grupo substituinte ligado ao benzeno, o índice pode ser omitido

metil-benzeno (conhecido também como tolueno)




Com dois substituintes quaisquer, os carbonos do benzeno podem ser numerados de maneira que os substituintes recebam os menores índices possíveis ou as suas posições podem ser indicadas pelos prefixos ‘orto’, ‘meta’ e ‘para’, que também podem ser abreviados para ‘o’, ‘m’ e ‘p’ respectivamente.

Nome do composto: 1, 2-dietil-benzeno ou orto-dietil-benzeno ou o-dietil-benzeno





Nome do composto: 1, 3-dietil-benzeno ou meta-dietil-benzeno ou m-dietil-benzeno





Nome do composto: 1, 4-dietil-benzeno ou para-dietil-benzeno ou p-dietil-benzeno

Atenção: se o composto for aromático, o foco será atribuir os menores índices aos substituintes, não as ligações duplas.




Se os dois substituintes forem o grupo metil, o termo benzeno pode ser substituído por xileno, exemplo.

Nome do composto: para-xileno





Se houver uma cadeia saturada ligada ao benzeno, a cadeia principal será aquela que possuir a maior quantidade de carbonos

propil-benzeno




2-fenil-heptano







se a cadeia ligada ao benzeno for insaturada ela será a cadeia principal independente da quantidade de carbonos






Se houver mais de um anel aromático juntos, o composto mantém seu nome trivial.
Naftaleno
Antraceno



Considerações finais:
1º Algumas regras e detalhes pequenos foram omitidos por acreditar que eles não sejam necessários para provas como o ENEM e para estudantes do ensino médio. Não se preocupe, o texto acima está bem completo e robusto.

2º Não se preocupe em decorar as regras, resolva exercícios e aos poucos você irá aprendê-las e fixá-las.


Referências:
Unesp
Ufersa
Ufrn




Finalmente terminamos o estudo sobre a nomeação dos hidrocarbonetos, agora vamos passar para o estudo do "ouro negro".

Petróleo


O petróleo é uma mistura proveniente da decomposição de matéria orgânica marinha, realizada ao longo de milhões de anos por bactérias em locais de alta pressão, temperatura elevada e pouco oxigênio, formada por vários compostos orgânicos com predominância de hidrocarbonetos. Encontrada comumente em rochas semelhantes a “esponjas” chamadas de arenito.

Classificado em
  • parafínico: predominância de alcanos
  • naftênico: grande quantidade de ciclanos
  • aromático: grande quantidade de hidrocarbonetos aromáticos


O petróleo cru ou bruto não serve para muita coisa, portanto é necessário separar os seus diversos componentes através da destilação fracionada.

Destilação fracionada: separação dos componentes do petróleo baseada na diferença de temperatura de ebulição, realizada em uma torre de destilação.





Produtos do refino do petróleo
  • gás de petróleo ou gás combustível: mistura de gases formada majoritariamente por metano e etano (CH4 e C2H6 respectivamente) e utilizada como fonte energética de diversas indústrias
  • gás liquefeito de petróleo (GLP): formado por propano e butano (C3H8 e C4H10 respectivamente), utilizado como gás de cozinha e propelente de aerossóis. Propano e butano são gases à temperatura ambiente, mas comercializados no estado líquido devido à alta pressão a qual estão submetidos.
  • Nafta: formada por hidrocarbonetos que possuem de 5 a 10 carbonos, pode ser transformada em gasolina e na fabricação de solventes.
  • gasolina: formada por hidrocarbonetos com 5 a 8 carbonos[1], é utilizada como combustível para motores do ciclo Otto*. É uma nafta que se transformou em gasolina por outros processos químicos.
  • querosene: formada por hidrocarbonetos de 11 e 12 carbonos, usado principalmente como combustível para turbinas de jatos, além de outras aplicações
  • óleo diesel: hidrocarbonetos com 13 a 18 carbonos, usado em termelétricas, para aquecimento e como combustível de motores à diesel
  • óleo lubrificante: hidrocarbonetos com 26 a 38 carbonos, usado principalmente na lubrificação de motores e engrenagens e como matéria-prima para graxas
  • óleo combustível: hidrocarbonetos com até 39 carbonos, usado principalmente como fonte de calor no segmento industrial
  • resíduos: hidrocarbonetos com até 80 carbonos, servem como material inicial para a fabricação de outros produtos. Nesta faixa de compostos mais pesados estão: coque, asfalto, alcatrão, breu, ceras e outros
Fonte: ANP

[1] as fontes de informação (principalmente livros e sites da internet) divergem quanto a composição da gasolina, cada um que diga uma coisa. Algumas dizem que a gasolina é formada por hidrocarbonetos de 6 a 10 carbonos, outras falam em hidrocarbonetos de 4 a 12 carbonos. Isto também acontece para outros produtos derivados do petróleo.

Alguns componentes podem passar por mais alguns processos químicos afim de transformá-los ou melhorar sua qualidade.




Craqueamento térmico e catalítico

Quebra cadeias de hidrocarbonetos em cadeias menores, exemplo
C14H30(l) -> 3 C2H4(l)




Reforma catalítica

Processo de síntese e/ou arranjo molecular em que os hidrocarbonetos de cadeia normal são convertidos em hidrocarbonetos de cadeia ramificada, cíclica ou aromática. Assim é possível obter gasolina de alta octanagem (melhor qualidade).




Carvão mineral

Denominação dada a rochas sedimentares que podem ser utilizadas como combustível.

Podem ser classificadas de acordo com o teor de carbono em
  • turfa: 55 a 60% de carbono
  • linhito: 67 a 78% de carbono
  • hulha: 80 a 90% de carbono
  • antracito: até 96%



A hulha, ainda pode passar por um processo de destilação a seco fornecendo um gás, dois líquidos e um produto sólido.

O gás é formado por H2(g), CH4(g), e CO(g) que já foi utilizado em lampiões como gás de iluminação e por isso é conhecido também como gás de rua.

Um dos líquidos é conhecido como águas amoniacais, utilizada na produção de fertilizantes. O líquido é chamado de alcatrão de hulha, formada principalmente por compostos aromáticos como benzeno, tolueno, naftaleno, fenol e anilina.

A parte sólida é constituída principalmente por carvão coque, utilizada na obtenção de ferro na fabricação de aço.




Gás natural

Formado principalmente por metano, etano e propano, CH4(g), C2H6 e C3H8 respectivamente. Utilizado no Brasil, principalmente, para geração de energia, nas indústrias, como combustível para carros (gás natural veicular, GNV) e como matéria-prima na produção de plásticos, fibras sintéticas borracha e fertilizantes.


Propriedades


Os hidrocarbonetos são apolares, portanto praticamente insolúveis em água e solúveis em solventes apolares ou de baixa polaridade como o CCl4 e o éter dietílico.

As moléculas dos hidrocarbonetos se mantêm unidas por interações do tipo dipolo induzido, conhecidas também como forças de London, consequentemente, os hidrocarbonetos são menos densos que a água e possuem pontos de fusão e ebulição baixos.

Quanto maior a quantidade de carbonos e menor a quantidade de ramificações na molécula, maiores serão os pontos de fusão e ebulição, pois mais fortes serão as forças de London ↑ carbonos    ↓ ramificações  ∴  ↑ ponto de fusão    ↑ ponto de ebulição

Ponto de fusão em ºC Ponto de ebulição em ºC
água 0 100
metano (CH4) -182,6 -161,5
hexano (C6H14) -94 68,7
heptano (C7H16) -90,6 98,4
octano (C8H18) -56,5 125,6


Na temperatura e pressão ambientes, os hidrocarbonetos que possuem de 1 a 4 carbonos são gasosos, de 5 a 17 carbonos são líquidos e os que possuem 18 ou mais são sólidos.



Parte 3

Questões

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